UFC 326: Holloway provoca Do Bronx e promete momento BMF

Quando um lutador decide entrar na zona de conforto do adversário, não é coincidência, é recado. Max Holloway e Charles “Do Bronx” parecem estar trocando mensagens silenciosas, porém diretas. Holloway, conhecido pelo volume absurdo no boxe, fala abertamente sobre a possibilidade de finalizar justamente o maior finalizador da história da organização. Segundo o próprio Max: “Seria a coisa mais BMF que eu poderia fazer, finalizar um artista da finalização”. O confronto acontece no UFC 326, no dia 07 de março de 2026, na T-Mobile Arena, em Las Vegas, com transmissão ao vivo pelo Paramount Plus.

Charles Do Bronx e Max Holloway – UFC 326

Do outro lado, Charles responde sem dizer uma palavra. Aparece treinando boxe, usando a famosa mão apontada para o chão, marca registrada de Holloway, como quem diz que está pronto para enfrentar o melhor de Max no terreno onde ele se sente mais confortável. É um jogo mental claro: dois campeões tentando provar que podem vencer o outro exatamente onde ele é mais forte.

Mas essa disputa vai muito além do psicológico. Charles x Holloway 2 acontece em um momento-chave da divisão dos leves (até 70,3 kg), que hoje vive um raro cenário de transição, mesmo com cinturão definido. Ilia Topuria é o campeão linear, enquanto Justin Gaethje carrega o cinturão interino. A luta mais provável no topo é justamente a unificação entre os dois.

Esse detalhe muda tudo.
Treinamento Charels Do Bronx

Caso Topuria enfrente Gaethje para unificar os cinturões, o resultado pode abrir dois caminhos claros. Ou Ilia se consolida de vez como o nome dominante da categoria, ou Gaethje reassume o posto máximo. Em ambos os cenários, existe um fator externo que pesa: a possibilidade real de Topuria subir para os meio-médios (até 77,1 kg) para enfrentar Islam Makhachev, em uma superluta de alto valor esportivo e comercial.

É nesse possível vácuo que Charles Oliveira volta com força à conversa.
Charles Do Brons – UFC Rio

Uma vitória de Charles sobre Holloway não representa apenas derrotar um ex-campeão dos penas. É vencer um nome grande, popular e tecnicamente respeitado no boxe, exatamente no momento em que o topo da divisão pode ficar temporariamente indefinido. Se Topuria subir de categoria após a unificação, o UFC precisará de um nome forte, confiável e testado em lutas grandes para ocupar esse espaço.

Poucos se encaixam tão bem quanto Charles.

O brasileiro já enfrentou praticamente toda a elite da divisão: Poirier, Gaethje, Chandler, Dariush. Seu histórico recente o coloca como um dos lutadores mais ativos e perigosos do topo, e uma vitória sobre Holloway reforça a ideia de que ele segue sendo um dos poucos capazes de sustentar uma disputa de cinturão sem “construção artificial”.

Max Holloway com cinturão BMF – UFC

Para Holloway, o risco é calculado. Ele não sobe para os leves apenas para participar. Vencer Charles significaria entrar direto na elite da divisão e, dependendo do desfecho entre Topuria e Gaethje, até se colocar como opção futura em disputas grandes. A derrota, por outro lado, o recoloca na condição de visitante em uma categoria que não perdoa erros.

No fim, Charles x Holloway 2 é uma luta que conversa diretamente com o futuro da divisão. Em um cenário onde o campeão pode subir de peso, o interino busca unificação e o UFC precisa manter o topo aquecido, quem vencer não ganha apenas moral. Ganha timing. E no UFC, timing costuma valer tanto quanto talento.

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